Dr. Caio Matsubara
Clínico Geral • Saúde Metabólica
CRM-PR 33753 | RQE 22459

RFM: o novo índice que pode substituir o IMC na avaliação da obesidade

O índice de massa corporal (IMC) sempre foi o método mais usado para avaliar o peso corporal. Mas nos últimos anos, pesquisadores têm questionado se ele realmente representa o excesso de gordura e o risco metabólico de cada pessoa. Surge então o RFM (Relative Fat Mass), um índice simples que promete medir com mais precisão a gordura corporal e o risco para doenças metabólicas.

Por que o IMC pode ser limitado?

O IMC é calculado dividindo o peso (kg) pela altura (m²). Ele é útil para rastrear populações, mas tem limitações individuais importantes. Pessoas com muita massa muscular podem ter IMC elevado sem ter excesso de gordura, enquanto outras, com pouca massa magra, podem ter IMC normal mas gordura corporal alta — uma condição chamada “obesidade metabólica com peso normal”.

Como o IMC não distingue músculo de gordura, pode falhar em identificar quem realmente tem risco aumentado para diabetes, doenças cardiovasculares e síndrome metabólica.

O que é o RFM?

O RFM (Relative Fat Mass) é um novo índice criado em 2018 a partir de grandes bancos de dados populacionais. Ele busca estimar a porcentagem real de gordura corporal de forma simples, usando apenas a altura e a circunferência da cintura — um marcador direto da gordura visceral, a mais perigosa para o metabolismo.

O RFM foi validado em diferentes populações e mostrou melhor correlação com gordura corporal e mortalidade do que o IMC. Ele também é sensível às diferenças entre homens e mulheres, algo que o IMC ignora.

Como o RFM é calculado

A fórmula do RFM é:

RFM = 64 − (20 × altura / circunferência da cintura) + (12 × sexo)

Exemplo: uma mulher com 1,65 m de altura e cintura de 85 cm teria:

RFM = 64 − (20 × 1,65 / 0,85) + (12 × 1) = 64 − 38,8 + 12 = 37,2%

Esse valor indica aproximadamente 37% de gordura corporal, o que já sugere excesso de adiposidade.

RFM e risco metabólico

Estudos populacionais mostraram que o risco de mortalidade aumenta consideravelmente quando:

Acima desses valores, há maior chance de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. Isso faz do RFM um marcador prático e clinicamente relevante.

Saiba mais sobre a síndrome metabólica e como ela se relaciona com a obesidade abdominal.

RFM em crianças e adolescentes

Pesquisadores também adaptaram o RFM para crianças de 8 a 14 anos. A versão pediátrica mostrou melhor correlação com exames de composição corporal (como DEXA) do que o IMC por idade, ajudando a identificar precocemente o excesso de gordura visceral em jovens.

Quais exames podem complementar o RFM?

O RFM é útil como triagem, mas pode ser complementado com exames laboratoriais e de imagem, como:

O que você pode fazer na prática

FAQ sobre o RFM

O RFM substitui o IMC?

Não completamente — ainda é uma ferramenta complementar. Mas ele reflete melhor o acúmulo de gordura visceral e pode, no futuro, se tornar o novo padrão.

Qual é o RFM ideal?

Para homens, valores abaixo de 25% indicam baixo risco. Para mulheres, abaixo de 35% é considerado saudável. Acima disso, o risco metabólico aumenta progressivamente.

Posso calcular o RFM em casa?

Sim. Basta medir sua altura e circunferência da cintura com uma fita métrica e aplicar a fórmula. Existem também calculadoras online.

O RFM ajuda no tratamento da obesidade?

Sim. Ele pode orientar a intensidade das intervenções e o acompanhamento dos resultados, principalmente em tratamentos com dieta, exercício e medicamentos metabólicos.

O RFM é confiável para todos?

Embora bastante validado, o RFM pode ter limitações em pessoas com deformidades abdominais, pós-operatórios ou gestantes. Nestes casos, o IMC e outros métodos continuam úteis.

Quando procurar avaliação médica

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.

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